
"Não posso dissimular
a emoção que experimento ao achar-me
após tão longa ausência no recinto
desta Faculdadeque foi minha alma mater, o lugar
em que verdadeiramente aprendi as regras do Direito
e do Dever" (Barão do Rio Branco).
Em
1827, poucos anos após a proclamação
da Independência do Brasil, foi criada a Academia
de Direito de São Paulo, como instituição-chave
para o desenvolvimento da Nação. Era
pilar fundamental do Império, pois se destinava
a formar governantes e administradores públicos
capazes de estruturar e conduzir o país recém-emancipado.
Tais desígnios não demoraram a se realizar
e a presença dos bacharéis logo se fez
sentir em todos os níveis da vida pública
nacional, tanto nos quadros judiciários e legislativos
como nos executivos.
Da
Faculdade de Direito, de seus estudantes ou de seus
egressos, partiram os principais movimentos políticos
da História do Brasil, desde o Abolicionismo
de Joaquim Nabuco, Pimenta Bueno e Perdigão
Malheiro e do Movimento Republicano de Prudente de
Moraes, Campos Salles e Bernardino de Campos até a
campanha das Diretas Já de Ulysses Guimarães
e Franco Montoro. Ao longo do tempo, dela emergiram
nove Presidentes da República, vários
governadores, prefeitos e outras incontáveis
figuras de proa.
Na
fervilhante vida cultural que a Faculdade de Direito
introduziu na pequena São Paulo do Século
XIX, foi também gestado um sem-número
de periódicos, peças teatrais, obras
literárias e poéticas, que representam
fundamentos da vida intelectual nacional, condensados
nas figuras de Álvares de Azevedo, Castro Alves
e Fagundes Varella, poetas românticos cujos nomes,
gravados em placas de mármore, há mais
de um século encimam o portal de entrada da
Faculdade.
Desde o início, a Academia
de Direito instalou-se no Largo de São Francisco,
no velho convento, que datava do século XVI
e cujas respectivas igrejas ainda existem. Sem nunca
deixar esse lugar pleno de significados, foi na década
de 1930 que para ela se construiu um novo edifício,
amplo e monumental. O projeto, de autoria de Ricardo
Severo, sucessor de Ramos de Azevedo, representou a
própria criação do estilo neocolonial,
que agregava à moderna arquitetura, elementos
do barroco luso-brasileiro, evocando a tradição
cultural do país e do velho convento que, naquele
mesmo lugar e por mais de cem anos, acolhera a Academia.
O edifício, hoje tombado como
patrimônio histórico do Estado de São
Paulo, abriga importante acervo cultural: nele próprio
encontram-se agregados elementos dignos de nota, tais
como os vitrais da escadaria, produzidos pela Casa
Conrado Sorgenicht, e o mobiliário do Salão
Nobre e da Sala da Congregação, confeccionado
no Liceu de artes e Ofícios de São Paulo.
Pinturas e esculturas de artistas renomados distribuem-se
pela Faculdade homenageando velhos e inspiradores Mestres.
Especial destaque merece a Biblioteca,
que, em 1825, já com acervo reunido de longa
data pelos frades franciscanos, tornou-se a primeira
biblioteca pública de São Paulo, antes
mesmo da inauguração da Faculdade.
A Faculdade de Direito, além
disso, foi a primeira instituição a integrar
a Universidade de São Paulo no momento de sua
criação, em 1934. O primeiro Reitor,
Professor Reynaldo Porchat, era docente da Faculdade
de Direito e nela sediou-se a Reitoria naqueles primeiros
tempos.
Desde sempre destinada a confundir-se
com a História de São Paulo e do Brasil,
a Velha e Sempre Nova Academia de Direito, hoje, continua
a cumprir sua missão, formando não apenas
novos bacharéis, mas grandes juristas e homens
públicos, capacitados para defender e preservar
o desenvolvimento do país no Estado de Direito.
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